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sábado, 11 de julho de 2015

SAÚDE EM FOCO






Cigarro aumenta risco de distúrbios psiquiátricos, diz estudo


Uma "associação" estatística entre o fumo e as psicoses, em especial a esquizofrenia, foi descoberta em estudos anteriores


Conhecido por causar câncer e doenças cardiovasculares, o cigarro também poderia aumentar o risco de transtornos psiquiátricos graves, como psicoses como a esquizofrenia - segundo um estudo publicado nesta sexta-feira na revista Lancet Psychiatry.

Uma "associação" estatística entre o fumo e as psicoses, em especial a esquizofrenia, foi descoberta em estudos anteriores, lembram os investigadores europeus que assinam o trabalho.

Foi observado que as pessoas com transtornos psiquiátricos graves eram significativamente mais propensas a fumar, com taxas de tabagismo entre os psicóticos três vezes maior do que na população geral.

Mas "as razões pelas quais as pessoas com psicose são mais propensos a fumar do que o resto da população permanecem obscuras", escreveram eles em seu artigo.

É a doença e/ou os tratamentos psiquiátricos usados para combatê-las que encorajam o tabagismo? Várias teorias nesse sentido têm sido propostas, em particular o fato de que o cigarro ajudaria a compensar os efeitos das drogas sobre a regulamentação da dopamina, um neurotransmissor associado ao mecanismo de recompensa.

Mas alguns pesquisadores se concentraram na ideia de que o próprio cigarro "poderia aumentar o risco da ocorrência destas doenças". 

Este estudo procurou especificamente testar esta hipótese e determinar se a psicose é declarado mais cedo em fumantes do que entre os não-fumantes.

Deste trabalho de "meta-análise" epidemiológica (que consiste na análise de vários estudos realizados anteriormente, envolvendo um total de 14.555 fumantes e 273.162 não-fumantes), foi extraído um resultado bastante claro.

"O consumo diário está associado a um risco aumentado de psicose e ao início mais precoce dos transtornos psicóticos", escreveram os autores do artigo, Pedro Gurillo (hospital de Torrevieja, no leste da Espanha) e Sameer Jauhar (King's College de Londres). No início da doença, os psicóticos são três vezes mais propensos a serem fumantes do que o resto da população.

"Embora seja sempre difícil determinar a causalidade, nossos resultados mostram que o tabagismo deve ser seriamente considerado como um possível fator de risco no desenvolvimento de psicoses e não é considerado como uma simples consequência da doença", explicou James MacCabe (King's College), também autor do estudo.

Um "nexo de causalidade" ainda precisaria ser plenamente demonstrado, mas os pesquisadores apontam para uma possível explicação: a dopamina.

"É possível que a exposição a nicotina aumente a liberação de dopamina, o que resulta no desenvolvimento de psicoses", já que o excesso de dopamina no corpo é uma das hipóteses para explicar a esquizofrenia, afirmou Robin Murray, da King's College. 

Este estudo e outro trabalho sueco publicado recentemente sobre tabagismo e esquizofrenia, "argumentam fortemente em favor de uma relação causal entre tabagismo e esquizofrenia", avaliou o psiquiatra Michael Owen (Universidade de Cardiff).

Mas para Michael Bloomfield (University College London), "ainda há muito trabalho a ser feito antes que os cientistas possam declarar com certeza que fumar realmente aumenta o risco de esquizofrenia".



Fonte:www.correiobraziliense.com.br

sexta-feira, 10 de julho de 2015

ALIMENTAÇÃO



Tira-teima: chocolate é mesmo tão bom para a saúde?

Ajuda a prevenir infartos, derrames, melhora o humor, o sono e, por incrível que pareça, faz emagrecer. Tudo isso foi dito recentemente sobre o chocolate, para delírio dos fãs desse alimento, algo que deve equivaler a 99,9% da população. Antes de se entupir com a guloseima, no entanto, é preciso analisar esses estudos com olho clínico.
Uma pesquisa recente, publicada no periódico Heart (pertencente ao British Medical Journal), informou que o consumo diário de 100 gramas de chocolate foi associado a menor risco de acidentes cardiovasculares, incluindo infartos e derrames.
O cardiologista José Rocha Faria Neto, presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor titular da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Paraná, afirma que os resultados fazem sentido do ponto de vista biológico. "O cacau é rico em flavonoides, a exemplo da uva", comenta o especialista, lembrando que várias pesquisas já associaram o vinho tinto a menor risco cardiovascular.
Mas ele ressalta que estudos como o publicado na Heart são observacionais, assim como tantos outros trabalhos científicos que envolvem alimentos e saúde. "Você não sabe se as pessoas são mais saudáveis porque comem chocolate, ou se comem chocolate porque se sentem saudáveis", exemplifica. Além disso, é difícil ter certeza de que os voluntários comeram exatamente aquilo que disseram ter comido, e, ainda: o simples fato de participar de um estudo e controlar a alimentação pode levar à perda de peso e controle de fatores de risco cardiovascular.
Algo parecido acontece com o vinho tinto. Pesquisas robustas apontam benefícios para o coração (trabalhos até mais consistentes do que os realizados até hoje com o chocolate, conforme avalia Faria Neto). Mas também é preciso considerar que indivíduos que consomem apenas uma ou duas taças da bebida por dia podem ser pessoas moderadas por natureza, que também comem de forma equilibrada e aproveitam as coisas boas da vida, o que significa ter menos estresse.
Pegadinha
Estudos observacionais podem confundir as pessoas a tal ponto que, recentemente, um grupo de pesquisadores organizou o que ficou conhecido como a maior pegadinha do jornalismo científico envolvendo dietas.
O trabalho, publicado no respeitado International Archives of Medicine, dizia que seguidores de uma dieta com baixo índice de carboidratos que consumiam 42 gramas de chocolate amargo todos os dias emagreceram 10% mais rápido que os adeptos da dieta que se abstiveram da guloseima.
A descoberta foi replicada em sites, revistas e jornais do mundo interiro. Só que era tudo "mentirinha". Ou melhor: uma mentira com fundo de verdade e objetivo nobre. A pesquisa realmente foi feita e os resultados foram mesmo favoráveis ao chocolate. Mas o principal autor era um jornalista (com especialização em biologia, vale dizer), e a organização sem fins lucrativos à qual pertenceria, um tal de Instituto de Dieta e Saúde, na verdade não existe.

O mais importante, segundo o próprio pesquisador esclareceu depois, é que o estudo foi feito com apenas 15 pessoas. E quando se avalia um número grande de dados (peso, colesterol, bem-estar, sono e outros) de um número muito pequeno de sujeitos, é fácil conseguir um resultado "estatisticamente significante" - um segredo que todos os interessados no noticiário de saúde devem guardar na memória.

quarta-feira, 20 de março de 2013

PESQUISAS CURIOSAS




Pesquisadores descobrem um jeito de deixar o arroz bem menos calórico

Resfriamento pode tornar o carboidrato do arroz mais difícil de digeri



Cientistas dizem ter encontrado uma forma de tornar o arroz menos calórico, ao fervê-lo com óleo de coco e, em seguida, refrigerá-lo durante meio dia antes de consumi-lo.
Segundo uma pesquisa feita no Sri Lanka e apresentada perante a Sociedade Americana de Química, isso reduziria o conteúdo calórico do arroz em até 60%.
O método, dizem os pesquisadores, torna o amido do arroz menos digestível, fazendo com que o corpo absorva menos energia do que faria ao ingerir o arroz comum. No entanto, especialistas em nutrição advertem que essa não é uma solução rápida para perder peso.

Carboidratos frios

Os carboidratos contidos no arroz são uma boa fonte de energia: ao serem ingeridos, são decompostos em açúcares simples pelo nosso corpo.
As sobras ficam armazenadas no corpo, convertendo-se rapidamente em glicose de acordo com nossas necessidades. Mas, em última instância, o excesso de glicose que circula no sangue pode ser armazenado na forma de gordura.
Cientistas vêm testando alterações nos alimentos, na tentativa de "enganar" o corpo para que este absorva menos combustível e mantenha o açúcar no sangue em níveis mais baixos.
Uma pesquisa britânica mostrou que, ao cozinhar o macarrão e esfriá-lo em seguida, cria-se um pico menor de glicose, mesmo que o macarrão volte a ser esquentado.
Os pesquisadores do Sri Lanka argumentam que o mesmo acontece com o arroz.
A conclusão veio após a análise de 38 variedades do arroz, na tentativa de encontrar a melhor forma de criar algo chamado de "amido resistente" e menos absorvido pelo organismo.
Essa resistência é em relação às enzimas que o corpo utiliza para decompor os carboidratos no intestino.

Fogo lento

A pesquisa diz que a melhor forma de produzir esse tipo de amido resistente é cozinhando o arroz em fogo lento por 40 minutos, com uma colher de óleo de coco. Em seguida, ele deve ser refrigerado por 12 horas.
A refrigeração permitirá que sejam formados elos de hidrogênio entre as moléculas de amilose (a parte solúvel do amido) no exterior dos grãos de arroz, que fica mais resistente, diz o pesquisador Sudhair James. E não há problemas em requentar o arroz, já que isso não afeta a resistência do amido.
A equipe agora investiga quais variedades de arroz podem ser ideais para esse processo, e se ele funciona também com outros óleos de cozinha.
O amido resistente pode oferecer benefícios à saúde, por aparentemente melhorar a digestão e a saúde intestinal, além de ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue, explica Sarah Coe, especialista da Fundação Britânica de Nutrição. Mas ela ressalta que são necessários mais estudos sobre o tema.

A porta-voz da Associação Diética Britânica, Priya Tew, disse que o estudo tem grande potencial, mas recomendou que "as pessoas continuem a consumir arroz com os métodos tradicionais até que tenhamos mais informações".